BLOG ANTIGO

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

FESTA DE CONFRATERNIZAÇÃO 2017 - FOTOS


Nossa festa de confraternização foi muito divertida.
Está de parabéns a nossa presidente que organizou com tanto carinho.
Agradecemos a presença de todos, e tantas demonstrações de afeto e gratidão.
Somos, mutuamente, gratos.

Abaixo temos algumas fotos que a Ivy fez, e quem tiver outras, favor enviar para postagem neste blog.










quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Mistério do céu - Ana Catarina SantAnna Maues


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Mistério do céu
Ana Catarina SantAnna Maues

   Na cozinha um grande alvoroço. As mulheres da família preparavam quitutes para a festa de logo mais a noite. Do quarto escutavam-se as gargalhadas, comentários sobre os fatos do ano que chegava ao fim. São elas minha mãe, irmãs e algumas tias. Agem com indiferença ao esforço que faço. O vestibular se aproxima  e mesmo hoje estou estudando, lendo e relendo os resumos feitos das pilhas de livros que manuseei. Desisto! O barulho é maior do que consigo aguentar. Saio sem avisar. Bato a porta com rebeldia. Quem sabe caminhar molhando os pés no mar alivie a tensão.

   De casa até a praia encontro automóveis, ciclistas, pedestres num indo e vindo eufórico. Do meu ponto de vista todos estão loucos. Amanhã será um dia comum, com um dígito a mais no ano, apenas isso.

   Na areia poucos aproveitam os últimos raios do sol de dois mil e cinco. Olho os rochedos ao longe e vou até eles, meu cantinho preferido. De repente observo que alguém jogou alguma coisa. Água  e  rocha brincam, uma traz a outra devolve. Interrompo o jogo. Trata-se de uma garrafa, com algo dentro. Curioso, tiro a rolha, leio um pedido de socorro, constato que o bilhete tem a data de hoje, trinta e um de dezembro de dois mil e cinco. Alguém acabou de lança-la ao mar.      

    Olho em volta procurando alguém, subo com dificuldade as pedras afiadas, quero chegar num ponto mais alto.  Do outro lado afasta-se caminhando de cabeça baixa uma moça. Só pode ter sido ela a autora do bilhete. Atravesso as pedras, desço depressa, quero alcança-la. Grito pedindo que pare. Ela vira-se. Tem os olhos inchados de tanto chorar. Mostro o bilhete, pergunto se é seu. Ela confirma. Sem cerimônia me dá um abraço.

   A noite cai rapidamente, e nos dois ali, abraçados em silêncio.

  Já mais calma pergunto o que significa  tudo isso, a garrafa, o bilhete, as lágrimas e ela finalmente fala:

   Sou visitante aqui. Vim estudar, conhecer, familiarizar-me com a cultura. Hoje devo retornar e estou triste. Aqui há beleza, pureza, diversidade, cor, luz, calor frio. A natureza exuberante enternece meus sentidos. Contemplaria por toda eternidade lugar assim. Ninguém pode ajudar-me. O bilhete foi meu grito preso na garganta. Fiz um acordo, não há como descumprir, mesmo porque se ficar amanhã serei cinzas. Fui programada para sobreviver por um ano. Vou embora com mala cheia, mas não se preocupe, não estou referindo ao que pertence a vocês, daqui sou proibida de levar um simples grão de areia. Falo da minha mente , extasiada com a beleza do planeta azul.
   Quando parou a narração, olhei pro céu e vi uma luz aproximando-se. Veio descendo lentamente, de repente não a senti mais em meus braços. Olhei e vi que estava desaparecendo, como que microdissolvendo-se em partículas sugadas pela luz sobre nós. Quando deixou de existir a luz alcançou velocidade e sumiu no horizonte.


   Voltei pra casa, não contei a ninguém o sucedido. Nunca mais olhei pro céu como antes.

A ESCADA DA FELICIDADE - Henrique Schnaider


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A ESCADA DA FELICIDADE
Henrique Schnaider

A escada em mármore tinha um estilo elegante. Alice desceu vagarosamente, degrau por degrau, apoiando-se no corrimão.

Antonio a esperava no sopé da escadaria para o jantar que seria servido em breve.

Os filhos desceram correndo, pulando os degraus de forma perigosa.

O casal ficou angustiado de ver os filhos sem nenhum cuidado, mas finalmente a família se reuniu à mesa.

O pai olha para todos e inicia uma oração acompanhada pela mãe e filhos, de agradecimento pela fartura e todo o bem estar da família.

Durante a refeição a conversa entre os pequenos era contínua, e os pais continham as crianças com muito custo.

Antônio quis saber como estavam indo nos estudos e como andava o comportamento na escola, dirigiu-se a mãe que era quem tinha a responsabilidade de controlar a vida escolar das crianças, A mãe  disse que Ana era uma aluna excelente e muito comportada, mas que Leonardo derrapava um pouco nos estudos e na escola, o menino era um pouco sapeca, mas nada que causasse preocupação.

Terminado o jantar voltaram à escada a qual Antônio apreciava, pois havia mandado construir com caprichos para que se tornasse protagonista do projeto arquitetônico.  

Enquanto ele subia degrau por degrau, observava o brilho do mármore de Carrara que lhe custara uma fortuna, mas que dera um brilho todo especial à casa e sentiu-se orgulhoso por ter sido ele a planeja-la.

 A família reuniu-se na sala de estar que ficava  no mezanino, e lá ficou por várias horas, Antônio lendo um livro de história geral, e soltava gostosamente, longas baforadas com  cachimbo, Alice assistia, como de costume,  a novela preferida e as crianças corriam pela sala brincando sem parar.


O casal estava em paz e feliz, deu-se conta da vida agradável que levavam e sentiram-se abençoados por Deus, realizados na vida e finalmente foram dormir tranquilos para a jornada do dia seguinte.

Uma única chance - Ana Catarina SantAnna Maues


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Uma única chance
Ana Catarina SantAnna Maues

   Madrugada fria. A neblina tomava conta do humilde e precário aeroporto que atendia determinada região da Colômbia, rica em diamantes. Saulo era empresário de sucesso e vinha reiteradamente realizar gordos negócios com os exploradores das jazidas.

   Não havia hotel, pousada, sequer algum lugar digno para hospedar-se por isso acostumou-se a rotina de esperar amanhecer, sentado, no desconfortável banco do saguão de embarque. Excepcionalmente naquele momento não tinha vivalma no hall. Estava só e exausto, as pálpebras fecharam, mas a cabeça sem apoio, pesava no pescoço e cambava pra frente pra trás, insistindo em despertá-lo. Foi num desses instantes que percebeu alguém diante dele. Uma figura singular, não identificava se homem ou mulher. Apertou os olhos para melhor ver. Era uma imagem tridimensional que lhe oferecia um objeto. Ele estendeu as mãos e recebeu uma espécie de garrafa, completa até o gargalo com areia colorida. O ícone iniciou uma comunicação telepática dizendo:

   Gire o objeto em sentido horário, primeiro dez vezes e pare, depois quinze e pare, por fim na terceira vez gire vinte. Palavras se formaram com os grãos coloridos. Identifique as três mensagens. Disse isto e sumiu.

   Saulo estava confuso. Pensava com os botões, não foi sonho, pesadelo, estou realmente segurando uma pequena garrafa.

   Medo também não teve. Era um homem frio, arrogante, autossuficiente, detentor de, podemos assim dizer, de uma certa ... maldade.

   Incrédulo iniciou a série de giros, e surpreendentemente os grãos começaram a desenhar palavras. Depressa procurou papel, caneta na valise de viagem.

   Conforme as palavras surgiam ele guardava, sem errar nenhuma vez a contagem. Terminada esta etapa ali estavam elas, de maneira solta, como um jogo de quebra cabeça, precisando serem arrumadas e assim montar a mensagem.

   Demorou um pouco,  mas decifrou tudo. Uma carta surgiu. Fazia um convite.
    "Fomos separados contra vontade, mas trazemos um ao outro na alma e coração".     "Foi-nos permitido uma volta ao início, se atravessar o portal".                         "Na plenitude do amor encontraremos a felicidade".

   Com o final da leitura, Saulo explodiu num choro compulsivo. Derreteu-se a armadura da frieza revelando o alto grau de solidão. Quebraram-se as correntes da arrogância exibindo a profunda necessidade de amor. Desmanchou-se a autossuficiência que camuflava a debilidade para sobreviver. Lembrou-se do acidente na estrada, do carro destruído, dos corpos no asfalto.

   Quando parou de soluçar e secou as lágrimas que escorriam, viu formado a poucos metros um círculo brilhante. Sabia que era o portal da mensagem. Deveria decidir ou pela vida que levava, de empresário, viagens, namoradas, bens e imóveis variados ou pela aventura de confiar no que lhe foi revelado. Decidiu por dar chance  ao amor. Tinha consciência do quanto  sua personalidade foi afetada com o sucedido no passado e desejava resgatar o que devia ter vivido, esperava ser o que não era.


   Inicia-se a caminhada pelo portal. A cada passo, dentro do que comparou  a um túnel, ele regridia um ano em sua idade cronológica, com essa redução a vivência que teve também ia desaparecendo. Ele fez uma viagem ao contrário, descendo dos trinta e três anos até a idade de sete. Esperando por abraço, estavam seu pai e sua mãe. Ele corre para encontra-los.

Um dia talvez- Ana Catarina SantAnna Maues


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Conto com 12 palavras

Viagem tantas vezes adiada
Florença, tão romântica Florença
Ela ria um riso largo
Olhar sereno
Falava pouco
Foi ha tanto tempo
Dias inesquecíveis
Lembro-me bem
Taça de champanhe
Beijo silencioso
Era um dia frio aquele
Nunca mais


Um dia talvez
Ana Catarina SantAnna Maues

   Sonho mais que perfeito conhecer a Itália, VIAGEM TANTAS VEZES ADIADA. Bilhetes de embarque na mão, lá fui eu. Meu destino era FLORENÇA, TÂO ROMÂNTICA FLORENÇA. Passaria  os quinze dias nela, em outra oportunidade Veneza, Roma e tantas outras. Desde menino despertava meu interesse. Devorava livros, revistas e tudo que dissesse respeito a ela. Lugar envolvente, berço dos Médicis, muralhas medievais, ruelas, museus, igrejas guardiãs do sono eterno dos ilustres, estes sim celebridades, Galileu, Leonardo da Vinci, Maquiavel e tantos outros. Não esperava palpitar o coração por alguma nativa, mas se acontecesse por que não?

   Fiquei num hotel próximo ao Arno de águas limpas, porém cheio de grandes pedras no leito.

   Fui aguardar no hall o guia particular que contratei. De minuto em minuto olhava pro relógio, estava atrasado não tem coisa que me irrite mais  vou fumar um cigarro deixei o celular no quarto será que ligou tenho que ir buscar mas se ele chegar neste instante vou rápido.

   Retornei esbaforido com o celular acusando nenhuma ligação. Cheguei até a calçada, a impaciência cutucava. Nesta hora vi aproximando-se, ELA RIA UM RISO LARGO, chamou meu nome, minha guia era gorda, mal vestida, exibindo fios de bigode. Confesso que percorrer lugares sedutores em tal companhia não ajudava a fantasia, mas seu OLHAR SERENO cativou-me. Eu sabia tudo sobre Florença por isso ela FALAVA POUCO.

   Com o passar dos dias fui modificando meu olhar, não notava mais os fios de bigode, a companhia era leve, divertida, dávamos boas risadas. Retornei ao Brasil cheio de saudade, não de Florença, mas dela.

   Hoje relembro olhando as fotos FOI HÁ TANTO TEMPO sem dúvida DIAS INESQUECÍVEIS. LEMBRO-ME BEM, ao embarcar seus olhos encheram  d'água, mas no jantar de despedida brindamos em TAÇA DE CHAMPAGNHE de excelente qualidade. Não houve carícias no aeroporto, apenas um BEIJO SILENCIOSO, de olhos nos olhos, e isso aqueceu-nos, pois ERA UM DIA FRIO AQUELE.

   Nunca mais voltei a Itália, outras prioridades invadiram minha vida, quem sabe um dia e de novo Florença, com esperança de mesma guia.




O CRIME DA ESCADA - Henrique Schnaider


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O CRIME DA ESCADA
Henrique Schnaider

Maria estava desolada, sentada no sofá da casa, policiais por todos os lados, revistavam tudo, para tentar elucidar aquele crime bárbaro que havia acontecido há poucas horas.

Ricardo seu marido, fora encontrado por ela estendido naquela escada em decúbito dorsal, morto por muitas facadas.

O casal possuía uma situação financeira muito boa e frequentavam a alta roda da sociedade.

Tudo ia muito bem até que Maria descobriu que o marido tinha uma amante, e a partir deste momento as brigas do casal tornaram-se frequentes. Todos os amigos já estavam sabendo que em algum momento haveria o desenlace daquela situação infeliz.

Os policiais desconfiaram que Maria houvesse cometido o crime, já que não estavam vivendo bem e ela tinha todos os motivos que levam uma pessoa ensandecida a cometer crimes bárbaros.

Os policiais interrogavam a esposa, para ver se em algum momento ela cairia em contradição, mas Maria negava a pratica do crime com convicção com a segurança de que não havia cometido aquele crime, inclusive a fizeram passar pelo detector de mentiras e não surgia nada que a condenasse.

Os peritos da investigação examinaram com mais atenção os detalhes na escada, local do crime, finalmente encontraram fios de cabelo tanto nas mãos fechadas de Ricardo que evidentemente lutara com seu algoz para evitar a morte e acabaram por achar o mesmo tipo de fio de cabelo que foram levados para testes, nos degraus da escada.

Daí as suspeitas facilmente, caíram em cima da amante Carla, que não teria nenhum álibi para justificar a sua presença na casa,  no interrogatório, acabou confessando o crime, alegando que Ricardo ameaçava abandona-la.

Maria teria que começar sua vida novamente, mas livre. Mudou-se da casa com sua escada fatídica que nunca mais gostaria de ver, onde o crime aconteceu e como a escada, teria que começar tudo de novo degrau por degrau.


quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Helena - Christianne Vieira


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Helena
Christianne Vieira


Helena estava lendo um romance meloso. A cada página, um pote de mel era despejado em seu coração. O dia estava escuro, a neblina enchia o ar de melancolia e solidão. Sentia arrepios cada vez que seu personagem favorito se declarava para a protagonista. Parecia ouvir aquela voz  carregada de carinho, em cada palavra. O coração aos saltos, batia descompassado, e a pele alva, clara como neve, se enrubescia,  queimava. Sentia tanta emoção naquelas linhas, como se as declarações  fossem para ela.

De tempos em tempos tomava fôlego e um pouco de água, para  voltar à realidade. Tinha que voltar a realidade, sua vida não era um romance.

Foi até a cozinha. A casa de repente estava escura e a luz tênue  da noite, tomava conta do ambiente. Nem reparara que o tempo havia passado, naquele entardecer quieto. Foi acendendo todos os cômodos, e chegando na sala ouviu um grito.

Alguém, pedia socorro. Atônita, foi lentamente até a grande janela da sala. Se escondeu atrás  da cortina, o coração aos saltos, a alertava de um perigo iminente. Por trás do tecido empoeirado, olhava a rua quieta.

Do outro lado da rua, uma janela se abriu. Helena viu um vulto. Um homem de olhar sorrateiro se esgueirara na penumbra. Assustada, desiquilibrou-se. Em pânico, arrepios subiam-lhe a coluna. Sentia o corpo mole, mas a mente  trabalhava a mil por hora na tentativa de entender o que vira. Ouviu  passos, no corredor. Eles pareciam se aproximar, rapidamente.

Um toc toc toc na porta, tirou-a dos devaneios. Tinha que ser corajosa, enfrentar o perigo. Uma voz metálica, chamou pelo seu nome. Tudo ruiu naquele instante.

Helena sentiu corpo gelar. A passos lentos se aproximou da porta e no olho mágico, tentou reconhecer o estranho que a chamava.

Na tentativa de controlar suas emoções, respirou lentamente, tentando fingir confiança, e abriu a porta.

Ali estava Otavio, seu grande amigo, que voltara do Japāo e foi visitá-la de surpresa. Por estar gripado,  ela não reconhecera a voz.

Feliz e surpresa, ela se jogou no seu abraço , estava segura.


Junto dele não correria perigo. Pediu que entrasse logo, o dia já fora repleto de surpresas.

UM PESADELO REAL - Henrique Schnaider


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UM PESADELO REAL
Henrique Schnaider

Esta história é de uma heroína chamada Raquel, que viveu momentos incríveis em um momento na vida.

Os pais de Raquel eram lavradores, produziam apenas o necessário para a subsistência. Eles tinham mais dois  filhos, além de Raquel. Os rapazes ajudavam na roça.

Somente de vez em quando, numa viagem de três horas , seu pai mantinha contato com outras pessoas da cidade, era quando uma vez por mês, ia vender algum excedente do que plantaram, e comprar alimentos e outras coisas necessárias.

Ela era uma menina bondosa, comportada e muito obediente. Gostava de pintar quadros, e sua mãe Augusta era quem a havia incentivado na arte da pintura, já que ela também nas horas vagas, passava em torno de quatro horas pintando figuras e paisagens rupestres. E assim, ficavam ambas exercitando a arte, terminavam por volta das cinco horas da tarde, enquanto o pai e os irmãos observavam curiosos imaginando o que sairia daquelas telas em branco.

Jonas o pai, era um excelente carpinteiro, tanto que praticamente havia feito todos os móveis da casa. Levava tanto jeito para a coisa, que fazia também belíssimas esculturas em madeira, umas seis por mês, para as quais, tinha comprador certo.
Antônio e Jarbas os dois irmãos, não levavam o menor jeito para as artes, ficavam sete  horas no trabalho do campo, nas horas de folga, jogando conversa fora, observando o que os pais e a irmã faziam.
Naquela manhã, Raquel sentiu-se quase que impelida a começar a pintar um quadro. Conforme surgiam os contornos na tela, começava a se delinear a figura de uma corda puxando o que havia na outra ponta dela, o que parecia ser uma nuvem.

Ela se apressou para terminar a imagem, querendo saber o significado dela quando o relógio batia as oito badaladas.

Seus pais e os irmãos olhavam aquela obra de arte e também, ficaram meio confusos e sem entender exatamente o que Raquel havia pintado, e o significado daquela cena inusitada, que para eles não tinha muito sentido.

Foi quando de repente, o tempo fechou carregado de nuvens escuras isso as nove  horas da manhã, raios riscavam o céu, provocando um barulho ensurdecedor, o vento de tão forte, batia, balançava tudo parecendo que iria levar as coisas embora, derrubar a casa tão bem construída.

Estavam todos assustados e sem saber o que fazer, rezando para a tempestade amainar, já era dez horas da manha, havia passado uma hora, quando de repente o vento violento arrebenta a porta da casa levando e destruindo tudo o que encontrava pela frente, a ponto de todos terem que fugir dali.

Para terror deles, bem acima havia uma nuvem ameaçadora, parecendo ter vida própria e com uns onze a doze seres estranhos pequenos de cabeças enormes, em seguida com uma força incrível arrastou os pais e os irmãos para dentro dela, só escapou Raquel.

Valente ela era, não desistiu de lutar, como tivesse a força de treze homens,  jogou uma corda até a nuvem e com uma destreza inacreditável, puxou-a e prendeu-a, em seguida conseguiu tirar a família daquela coisa horrenda. Os seres fantasmagóricos ficaram olhando espantados diante de tamanha coragem e valentia da mulher, e sem perder mais tempo foram embora.


O tempo melhorou por volta das quatorze horas, o sol voltou a brilhar e o dia ficou aprazível outra vez. Todos felizes por terem escapado ilesos daquela aventura inesquecível, entenderam estupefatos, o quadro que Raquel pintara. Tinha sido uma premonição e uma visão de algo terrível que iriam vivenciar.

Verdade ou alucinação? -Hirtis Lazarin


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Verdade  ou  alucinação?
Hirtis Lazarin

          Acordei assustada com o estrondo de um trovão, acompanhado de um relâmpago que iluminou a sala escura.

          O cuco cantou cinco vezes.

          Cheguei de um plantão de dezesseis horas no pronto-socorro.  Tirei jaleco e sapatos apertados,  joguei-me no sofá confortável e adormeci profundamente.

          A casa estava envolta numa escuridão só.  A única coisa que visualizei foi um passarinho que escapuliu da casinha de madeira do cuco.  Passou voando rente aos meus olhos.  Como esse animalzinho foi parar ali...Até hoje não sei.

          O medo levantou-me do sofá.  Arrastando os pés, tateando móveis e paredes, senti o interruptor de luz.  Energia elétrica cortada.

          Continuei em passos lentos e cuidadosos.  Alcancei a janela da sala que se abria pra rua.  As luzes dos postes estavam acesas.

          O céu cobria-se de nuvens negras.  Atormentadas por rajadas de ventos uivantes, chocavam-se umas contra as outras.  Desses choques caía chuva em abundância misturada a pedras de gelo que caíam sem  dó.

          Um cachorrinho vira-lata encharcado tremia de medo e frio buscando um cantinho pra se esconder. 

          Gritei várias vezes até que me ouviu e chegou próximo à janela.  Com o maior esforço, na ponta dos pés, dobrando meu corpo feito contorcionista , agarrei o bichinho.  Agasalhei-o com meu casaco de lã.  Essa façanha deixou-me tão molhada  que ganhei um resfriado e febre alta por três dias.  Valeu a pena. Adotei o cachorrinho e hoje é um ótimo companheirinho.

          Já fazia mais de uma hora que eu estava ali presa à janela quando uma águia passou, num voo rasante, tendo uma corda presa a um bico enorme e forte.  Na outra extremidade da corda uma menina estava amarrada.  Logo em seguida, outra águia transportando outra menina.  E mais outra...E mais outra.  Contei quatro.

          Não consegui gritar.  A voz ficou agarrada na garganta.

          Não era sonho nem alucinação.  O cãozinho latia, latia sem parar.

          Acordei num leito de hospital rodeada por meus familiares e o Dr. João, médico da família.

          Não contei a ninguém.  Seria difícil explicar o inexplicável.

          O desmaio que sofri ficou por conta do estresse, muitas horas ininterruptas de trabalho, anos sem férias.

          Infelizmente minha única testemunha não fala.

          Estou pesquisando...E não vou parar...Toda vez que chove forte, corro até a janela na esperança de que as águias voltem.

          Até hoje, nada.


          Sou teimosa.  Não desistirei...

A Vila de Matamata - Christianne Vieira

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A Vila de Matamata (numerais)
Christianne Vieira

Frederico abriu os olhos assustado. Só ouvia um tic e tac do relógio de bolso. Ele, baixo de grandes olhos azuis e bigodes grisalhos. A gravata borboleta vermelha e a cartola destacavam no horizonte, imponentes sua função, de guardião das terras baixas.

A cada  duas batidas, o passado se afastava e as três tarefas inacabadas se perdiam  na janela do tempo. Corria contra si mesmo, contra o tempo, Senhor inexorável da vida.

Matamata ficava em um vale florido, mas vivia no fervor de um conflito. Quatro habitantes numa escavação encontraram cinco minas de pedras preciosas, desde então a população antes pacata, se enchera de ambição e cobiça .


Ele tinha que correr até a aldeia vizinha e consultar Dee, o mago. Sábio conhecedor da cultura do Livro dos Anciãos, o único capaz de restaurar a paz. Frederico chegou afobado, derrubou a mesa de carvalho onde seis oferendas estavam dispostas em jarros aos Deuses. Dee virou-se e sete labaredas incandesceram o olhar . No entanto, após oito intermináveis segundos sua calma e serenidade foram restauradas. Já intuíra a razão da visita, olhando ao longe, como se a alma não  estivesse lá. Levou a chaleira ao fogo, enquanto nove nuvens de fumaça subiam ao céu, o mago então recitou a profecia. ….Um antigo feiticeiro há mais de dez séculos invocara as forças do mal, e a magia colocaria fim as terras baixas. Para desfazer esse feitiço, o guardião devia buscar Clarice a feiticeira, e juntos formariam a tríplice aliança. Antes da Lua Azul, as trevas dominariam o mundo. O guardião correu contra si mesmo, contra o tempo, tinha onze quilômetros até a outra aldeia.

PASSEIO INESQUECÍVEL - Henrique Schnaider


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PASSEIO INESQUECÍVEL
Henrique Schnaider

Era o ano de 1976, me lembro como se fosse hoje. Aquela viagem para nós, foi fantástica, um sonho dos deuses, viemos para baixada santista, emocionados, pois era a primeira vez que estávamos juntos. Uma aventura como aquela, eu desde jovem sonhava fazer juntamente com meus amigos,  e finalmente chegou o dia daquela empreitada.

Rodrigo meu amigo mais chegado, brincava comigo, dizendo que iriamos arrumar umas gatas e depois sair com elas para dar umas voltas, tomar um sorvete, ir ao circo e passear na praça em frente. Eu todo feliz imaginando as coisas que meu amigo me dizia.

A praia do tombo, era o objeto dos nossos desejos, finalmente naquele dia tornaríamos realidade, com certeza, iriamos nos divertir muito.

Todos éramos praticantes de surf, cada um tratou de trazer  sua prancha, o mar estava fantástico, estávamos deliciados, Rodrigo não largava de brincar comigo, a praia do tombo era famosa pelas ondas altíssimas, poderíamos surfar, fazer a rasgada, batida, floater, aéreo, cut back e tubo, eu olhava deliciado o mar, estava com uma fome de gente grande.

Na realidade estava, com um tremendo medo, nunca surfara em ondas tão grandes,  não revelava aos colegas a minha fragilidade. Teria que enfrentar meus monstros, conseguir supera-los.

Ed era o mais velho do grupo, com uma experiência maior, inclusive já havia participado de várias competições, o cara era o cobra da turma, enfrentava as ondas feito um peixe grande, era um verdadeiro golfinho.

Passamos horas surfando com sol a pino até ficarmos mortos de cansado, mas ninguém queria parar, realmente estávamos a fim de ficar até a boca da noite, o som das ondas arrebentando, soava para nós como uma música doce e suave.

Disse aos meus amigos, que confessaria a eles algo que não sabiam, sobre os medos que me assombravam ao pegar ondas tão fortes, feito monstros marinhos, mas agora diria que superara meus traumas.

No começo da noite, finalmente paramos para preparar, apesar da hora avançada, um almoço rustico, o cansaço tomava conta de nós.

Pedi ao Ed que usasse a câmera para nos filmar, todos estirados sem conseguir se mover, ninguém tomava  iniciativa de fazer o fogo, o mar estava simplesmente lindo como um quadro de Van Gog, nós grandes amigos olhando extasiados aquela beleza sem fim.

Hoje passados tantos anos, fico pensando como éramos audaciosos.

Nunca mais, haveria em nossas vidas, uma aventura tão linda, inesquecível, ficando para sempre em nossa memoria. 

A Aldeia de Matamata - Christianne Vieira

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A Aldeia de Matamata
Christianne Vieira

Frederico abriu os olhos assustado. Um homem baixo de expressivos olhos azuis, largo bigode grisalho. A gravata borboleta vermelha e a cartola preta lhe conferiam sua função, de guardião das terras baixas.

Matamata ficava no vale, onde a vegetação rasteira se encobria pelas tantas flores.  Há pouco tempo haviam descoberto uma grande jazida de pedras preciosas, e desde então  a população, antes pacata, se transformara em pessoas ruins, ambiciosas. As desavenças cresceram,  a todo instante a temperatura aumentava os ânimos.

Ele tinha que correr, ate a aldeia vizinha, e pedir ajuda a Dee, o mago, Senhor do conhecimento, da cultura antiga dos anciãos. O único homem capaz de reverter  a situação e restaurar a paz. Corria contra si mesmo, contra o tempo, senhor inexorável da vida, que controlava o passado, o presente e o futuro. Tinha alguma esperança em seu coração.
Frederico chegou afobado, como de costume,  derrubou a mesa do mago, jogando ao chão todas as oferendas dos Deuses.
Dee, com sua serenidade costumeira, pareceu perder  a calma, algumas labaredas subiram-lhe pelos olhos. Em instantes, a recuperou e já intuíra a razão  da visita.

O pequeno guardião relatou suas aflições, suplicou  ajuda do Livro Sagrado. Quem sabe os Deuses ainda poderiam perdoar os erros daquele povo.

Dee levou  a chaleira ao fogo, enquanto a fumaça subia ao céu azul, e as nuvens se formavam, parecia ler uma mensagem. Após alguns minutos de silêncio, o mago explicou o ocorrido.

O fim de uma Era se aproximava. Um antigo feiticeiro havia realizado uma magia negra, e profetizara essa tormenta.

Para desfazer esse feitiço, Frederico devia trazer até o mago Clarice, a bruxa . E, juntos os três, uniriam suas forcas em uma aliança. A tríplice aliança teria força suficiente para desfazer as ações do mal. Uma batalha das sombras e da luz seria travada. Deveriam manter a esperança e o coração puro. Acreditar no bem.

Tinham pouco tempo, até a próxima lua cheia encher de luz o céu.


Frederico se arrumou, tomou folego e partiu, seria uma longa jornada, mas ele deveria ser corajoso e valente, estava com o futuro de seu povo nas mãos.